Bitcoin? A Bolha É O Dólar e Ninguém Está Falando Nada Sobre Isso

O aumento meteórico do Bitcoin em 2017 é reiterado por todos os especialistas como sendo uma bolha. Mas não é o único caso. Em um mundo onde ações, títulos, objetos de arte, automóveis clássicos e imóveis também estão em níveis recordes, o investidor deve-se perguntar. Por quê? Por que temos essa bolha em todas as classes de ativos simultaneamente? Poderia ser apenas um sinal? Mas um sinal de quê? Em uma resposta é:

O sinal mais preocupante da implosão do atual sistema monetário, é a inundação do mercado com a criação de dívidas e crédito.

Por mais dramático que pareça – e provavelmente seja mesmo – há muitos sinais para que o investidor mais atento deva olhar.

Investir com um horizonte de médio a longo prazo é analisar o panorama geral, em mudanças geopolíticas que, lentamente e irreversivelmente, alteram os equilíbrios consolidados e movem o dinheiro ao redor do mundo dentro e fora das diferentes classes de ativos. Recentemente, a Macrovoices.com publicou uma entrevista intitulada “Anatomy of the US dollar end-game” “Anatomia do fim do dólar” com Jeffrey Snider (Alhambra Partners), Mark Yusko (Morgan Creek Capital) e Luke Gromen (The Forest for the Trees).

Por sinal, Mark Yusko e Luke Gromen também estavam entre os poucos gestores financeiros que estavam certos em fazer um pedido de depreciação do dólar norte-americano em 2017. Este é um resumo das conclusões extraídas do debate.

Para uma compreensão dos argumentos por trás disso, ouça o debate completo (em inglês).

1. A crise do mercado euro-dólar

De acordo com Jeffrey Snider, chefe da Global Investment Research da Alhambra Partners, o mercado do euro-dólar – um mercado monetário de curto prazo que facilita empréstimos de dólares norte-americanos para fora dos EUA – não funciona adequadamente desde 2007 e se transformou essencialmente em um “short squeeze” do dólar norte-americano gerado por uma escassez de dólares.

Mesmo que isso gere artificialmente marés de otimismo com “um dólar em ascensão ou ao contrário, uma moeda em queda” no curto prazo, não é positivo para o dólar norte-americano ser uma moeda de reserva. O que aconteceu em 2014 poderia acontecer de novo e desencadearia outra crise de liquidez perigosa de última hora.

2. O problema da dívida dos EUA

A desequilibrada dívida dos EUA nunca foram um problema. Enquanto a economia mundial ainda funcione em dólares, os bancos centrais mundiais continuem comprando e os mercados mundiais de energia sejam negociados em dólares, não haverá problema. Mas agora, devido a mudanças geopolíticas e o tesouro dos EUA, essa dívida começa a incomodar. E a maneira mais provável de lidar com o problema da dívida para os EUA hoje, será, em última análise, desvalorizar sua moeda através da inflação.

3. Abandonando o Sistema Petrodólar

Para Mark Yusko da Morgan Creek Capital e Luke Gromen da The Forest for the Trees, a China e a Rússia, estão buscando ativamente reduzir suas demandas em dólares. Para eles, a dependência do dólar é um problema crônico que deve ser resolvido e se transformou em uma questão de segurança nacional.

Portanto, eles estão se movendo em várias direções: para aumentar o suprimento de dólares, enquanto ao mesmo tempo, diminuem sua demanda por dólar, como por exemplo, reprecificando o petróleo para o CNY. Eles também realizam o comércio bilateral, bem como o comércio com parceiros africanos ou outros países euro-asiáticos ao longo da OBOR (One Belt One Road), em termos que excluem o dolar como meio de pagamento.

Outro exemplo, os chineses emprestaram dólares norte-americanos a países africanos e foram reembolsados ​em petróleo no ano passado, basicamente convertendo o euro-dólares em petróleo. Uma vez que a Rússia (com a Arábia Saudita) é o maior produtor de petróleo do mundo e a China é o maior consumidor, os dois parceiros começaram em 2014 a negociar petróleo em moeda local.

Além disso, um novo ‘contrato de futuros’ do petróleo denominado no CNY foi anunciado no ano passado e começou a testar o comércio em Shangai em dezembro. Como disse um dos entrevistados:

“O petróleo foi a moeda de escolha para apoiar o fiat dos EUA desde que fechamos a janela de ouro. Se o fluxo de petróleo puder ser induzido pelos esforços conjuntos de várias nações para não serem determinados em dólares, isso afetará os fluxos financeiros globais do mundo mais do que qualquer outra coisa. Porque o petróleo é o mercado mais negociado do mundo e o maior produto baseado em dólares”.

4. O papel do ouro como um recurso de liquidação neutro

A idéia não é nova. Já em 2010, Robert Zoellik, do Banco Mundial, pediu que as maiores 5 moedas do mundo estejam lastreadas ao ouro. Em 2011, Dominque Strauss Kahn fez o mesmo que o chefe do FMI, pedindo o vínculo entre SDR e ouro. Luke Gromen destacou que a notícia é que os chineses agora estão se movendo ativamente nesta direção. Em 2013 anunciaram suspender a acumulação de reservas de US FX e importar ouro físico. O mesmo aconteceu com a Rússia. Isso pode mudar o comércio de petróleo em Petrodolares para um novo sistema de Óleo-Ouro. Como disse Luke Gromen:

“A Rússia comprou ouro o tempo todo até agora – ao contrário de 98 e 2008 – e o preço de uma onça de ouro em barris de petróleo mais do que duplicou. Foram de 13 barris de petróleo por uma onça de ouro para 30 barris de óleo por onça. Então, se a Rússia quisesse 1.000 toneladas, adivinhe o que aconteceria com o valor de suas reservas de ouro em comparação a sua maior produção econômica, o petróleo? Eles estão mais ricos! Suas reservas aumentaram! Veja, o que eles estão fazendo torna sua economia inabalável e os afasta irreversivelmente do dólar. Eu acho que eles estão sendo muito pacientes e jogando o jogo do longo prazo. Eles sabem que tudo o que têm a fazer é apenas continuar jogando e o dólar entrará em colapso sob seu próprio peso. Eles não precisam ser agressivos”.

Portanto, a paciência parece ser o nome do jogo para a China e a Rússia. E ambos sabem muito bem como jogar.

5. Efeito sobre os preços dos ativos

Houve também o consentimento unânime sobre o efeito que essas grandes transições do sistema monetário têm sobre os preços dos ativos, no sentido de que eles são extraordinariamente inflacionários para a moeda que está perdendo status.

Simplificando, para Luke Gromen:

“O que você está vendo nos mercados de ações, o que você está vendo em Bitcoin e o que você está vendo no setor imobiliário – tudo isso é uma bolha – é a resposta racional à bolha do dólar”.

Na verdade, basta notar que o mesmo ocorre neste momento no mercado de ações da Venezuela, como aconteceu antes na Argentina e na República de Weimar.

Conclusões

Quando a discussão chega ao ponto de analisar onde estamos nesta transição, se para um novo sistema monetário, ou qual será o melhor caminho para o dolar, as opiniões divergem. Os tópicos a seguir devem ser cuidadosamente acompanhados de perto para avaliar o quão rápido o desaparecimento do dólar – como a moeda de reserva global – avança:

  • O interesse aberto e os volumes negociados no novo CNY denominado ‘Contrato de Futuros do Óleo’ e quando ele começará a operar;
  • Se a dissociação da relação usual entre a diferença das taxas de juros e o índice do dólar continuar como em 2017. Em outras palavras, se as taxas do Tesouro aumentarem ao mesmo tempo em que o índice do dólar cai, as coisas poderiam ficar sérias;
  • As as reservas dos EUA detidas pelos bancos centrais globais (e particularmente pela China, Rússia e Arábia Saudita). Suas reservas em dólares norte-americanos já atingiram o pico em 2014 e estão em declínio lento mas constante desde então. Novos declínios sinalizarão problemas para os EUA continuarem a sustentar seus atuais níveis de endividamento;
  • Se “toda a bolha de ativos” dos EUA continuar crescendo (no estilo de mercados emergentes).

Finalizando, como um investidor deve investir nesse cenário? Os três gestores financeiros concordam que em investir em ouro, ativos reais, ações subavaliadas escolhidas a dedo e, prenda a respiração… sim, em Bitcoin, são as melhores opções. Porque a mãe de todas as bolhas poderia ser o dólar e não o Bitcoin.

A mãe de todas as bolhas poderia ser o dólar e não o Bitcoin.

Sobre o Autor do Artigo

Andrea Bianconi é advogado, especialista em negócios internacionais com mais de duas décadas de experiência. Estudioso da Economia Austríaca, da História Monetária e da Geopolítica. Acredita no futuro das tecnologias baseadas em Blockchain e é um membro ativo da Berlin’s cutting edge Blockchain Hub e consultor jurídico para negócios com tecnologia Blockchain. Investidor e trader online com interesse em commodities, metais preciosos, moedas, Tech Stocks e Cryptos.

Andrea pode ser encontrado no LinkedIn aqui.

Nota do Editor: este texto foi traduzido e adaptado de um artigo escrito por Andrea Bianconi no LinkedIn e postado no blog Crypto Daily e no CCN. Este artigo não representa a opinião do Cyber Money.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here